terça-feira ,15 outubro 2019
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Lyoto Machida relembra princípios do código de conduta dos samurais

Foto: Maycon Nunes

 

Parte da cultura japonesa, o código de conduta dos samurais, chamado “bushido”, pode ser uma cartilha para quem almeja um mundo com mais equilíbrio e respeito. Foi o que mostrou o paraense Lyoto Machida, quando publicou em seu perfil no Instagram uma foto, em que se curva respeitosamente diante do oponente derrotado, com a seguinte legenda: “o samurai não tem nenhuma razão para ser cruel”. O lutador explica que o karatê, sua principal arte marcial no MMA, não está relacionado diretamente à cultura samurai, mas que os princípios coincidem e o mais importante é que o bushido pode ser aplicado por todos em suas vidas.

O lutador conta que entrou em contato com o bushido por meio de sua minha família, onde o código tornou-se uma tradição passada de pai para filho. “Aprendi esse código ao mesmo tempo que aprendi toda a cultura ligada às artes marciais. Hoje ela faz parte do que eu ensino para os meus alunos dentro da minha academia em Los Angeles e também do que eu pratico no meu dia a dia”, afirma. O interesse despertado nele desde cedo, deve-se, segundo ele, ao fato de o bushido reunir valores que lhe são fundamentais e nos quais sempre acreditou.

O “manual de conduta” dos samurais está baseado em sete princípios fundamentais: Gi (justiça), Yuu (coragem), Jin (compaixão), Rei (respeito), Makoto (honestidade), Meiyo (honra) e Chuu (lealdade). Lyoto, explica um pouco sobre todos eles, começando pela justiça. Para os samurais, ser justo significa ter a noção de que a justiça é responsabilidade de suas ações. “Em vez de esperar que os outros sejam justos, é importante ser sempre honesto e fazer apenas o que é justo com as pessoas”, resume Lyoto.

Quanto à coragem dos Samurais, ela tem relação com a vontade de viver intensamente não se esconder dos perigos que ficam no caminho da realização dos sonhos. “A coragem aliada ao cuidado é que vai garantir que você conquiste o que tanto sonha”, afirma. E assim como os samurais, Lyoto Machida sabe que de nada adianta ser forte e estar preparado para a luta se não for para fazer o bem. Amor, amizade e solidariedade são as bases para o princípio da compaixão. “Todo mundo pode aplicar isso na vida: é só utilizar as suas habilidades e forças pessoais para fazer o bem a quem precisa”.

Reforçando o que publicou nas redes sociais, o lutador ensina que o respeito está relacionado à necessidade de ser cortês com todos, incluindo os inimigos. “Não adianta ser corajoso e forte se você não tiver respeito por todos”, resume. “No dia a dia, mesmo quem não nos respeita precisa ser respeitado, e só assim vamos manter”, completa. E ainda, cumprir promessas e nunca mentir: esse é o significado do princípio da honestidade. “Quem mente e não cumpre uma promessa perde a honra, o respeito, e ainda demonstra covardia, por isso é tão importante entender o quanto a honestidade está ligada aos outros valores”, destaca Lyoto.

Princípios do bushido devem estar em equilíbrio

O princípio da honra do samurai é baseado no entendimento que cada pessoa é “o juiz de si mesmo”, já Lyoto resume a honra com um conceito muito comum na sociedade atual: “As escolhas que você faz têm tudo a ver com a ideia de deitar a cabeça no travesseiro e conseguir dormir sem peso na consciência”. Por último, você precisa ser fiel àqueles que precisam dos seus cuidados. “Quando falamos da cultura samurai, pela imagem gerada por esses guerreiros, as pessoas acabam ficando curiosas. Mas a verdade é que esses valores sempre foram algo natural para mim e para minha família”, diz Lyoto.

E assim como é possível aprimorar uma habilidade, para o lutador, a forma como agimos também pode ser treinada. “Para trazer esses valores para o dia a dia é preciso estar presente, não estar no piloto automático, é uma escolha consciente de agir e reagir conforme aquilo que acreditamos”. Por isso a prática do bushido deve estar nas pequenas coisas do cotidiano, sendo treinada para uma decisão ou desafio que exija mais. Todos os sete princípios fazem parte de uma base para uma conduta e para funcionar é preciso que todos os pilares estejam igualmente firmes. “Não acredito em um destaque para apenas um, acredito que eles precisam estar em equilíbro para serem utilizados no momento mais adequado”, finaliza Lyoto.

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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